poema-pílula

Ezequiel Fernandes da C. neto


Mar ia

Chegou como uma onda
Imprevisível em sua quebra
Eu mal podia respirar
Depois mostrou seu outro lado como era
Uma maré baixa
Branda jamais! Mas pude nadar
Oscilando as marés, Maria é assim
Às vezes brava, 
Outras vezes brava demais!
Quando me adaptei a oscilação da maré tive que ir
Mas Maria que é Maria nunca fica só
A gente é que fica sem Maria
Ficou a saudade de molhar os pés
Uma pena! Queria levar o mar comigo,
Mas justo quando pensei que o mar vinha
O Mar ia

A Maria Fernanda. Ezequiel Fernandes da C. Neto


TelescÓpio

Olho para o céu

Vejo astros tão distantes

Poderei eu alcançar algum?

Olho para o chão 

E percebo…

Meus pés repousam sobre um

 

Ezequiel Fernandes da C. Neto


FLA x FLU

O torcedor de futebol é um bicho muito exótico, para não dizer sem noção (opa, eu disse!).  Mas devo confessar que são muito bons na argumentação em defesa da camisa que traja e contra a camisa que ultraja – cabe um “e vive-versa” aqui também, já que nem sempre estão satisfeitos com seus times. Futebol não é meu esporte favorito, mas ainda arrisco torcer pelo time da família já que sou brasileiro… Pois é, brasileiro tem que gostar algum tanto de futebol.

As redes sociais são um ótimo veículo de manifestação de torcedores. Vez ou outra, me pego lendo discussões colossais entre estes. Começa com uma cutucada no time adversário e aí começa o blá blá blá. Todas as vezes  são discussões que sempre levam ao mesmo resultado: cada qual sai achando que seu time é o melhor. Mas, algumas delas, são interessantes de serem lidas. A última que li me impressionou por conseguir ser tão irracionalmente racional em defesa do time.

No meio da discussão de histórico entre Flamengo e Fluminense, havia Nelson Rodrigues e Euclides da Cunha como instrumentos de argumentação! Já pensou? Também foram usados como argumentos fatos contados e contados acerca das vitórias e tradição de clube. E adivinhem? Cada qual saiu convicto de que seu time é o melhor.

Uma das citações usada pelo fluminense dizia assim: “E podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos”, essa é do grande Nelson Rodrigues. Ironicamente respondeu o flamenguista: “Quem é Nelson Rodrigues? aposto que seja tricolor!”.

Está vendo? Para o torcedor de futebol, principalmente, até chavões consagrados são subvertidos; vale, pois, a inversão: contra argumentos não há fatos! O torcedor é mesmo um bicho muito sem noção. No fim das contas, tanto o flamenguista como o fluminense entendia muito de futebol, mas eu acho que o flamenguista ganhou a discussão… Por quê? Porque torço algum tanto pelo Flamengo.

Olha só como as coisas são! Por um breve instante, critiquei a razão irracional do torcedor que usou Nelson e Euclides para defender seu time… E a mim por ter feito o mesmo!

Ezequiel Fernandes da C. Neto


Grécia

“Por quê?”

Pronto.

Filosofei!

Ezequiel Fernandes da C. Neto


Perdão, Spielberg!

Não há lugar melhor do que o melhor lugar da sala de cinema… E lá estava eu na sessão das 21h, Cavalo de Guerra. Certa cena, onde um dos personagens desenhava lindamente um cavalo, trouxe-me a lembrança dos desenhos que meu pai fazia quando eu era criança. Foi inevitável comentar:

– Papai, quando éramos pequenos (meus irmãos e eu) o senhor desenhava cavalos tão bem…

– Eu desenhava bem porque vocês eram pequenos!

Perdão, Spielberg! Mas, muito mais lírico que a cena de seu filme, foi todo o filme que se passou na minha mente. Consegui retomar o foco no filme finalmente. Não quero que me entendam mal e achem que estou criticando a capacidade atrativa da obra… Pelo contrário! Acho que o cinema tem o dever de fazer isso com o cinéfilo: trazer o coração novamente – de forma mais apocopada, recordar*.

Depois do que ocorreu naquela sala mágica que sempre me surpreende, pensei em pedir ao meu pai que desenhasse, hoje, um cavalo. Repensei… para quê? Quando somos crianças heroicizamos nossos pais e, agora, meu pai, provavelmente, faria um bom rabisco e desmistificaria a bela obra de arte de minhas recordações.

Eu quero mesmo é continuar vendo meus pais como os via antes, como heróis. E não é com medo da decepção ao perceber que são só humanos; nem seria uma decepção! Humanos somos todos mesmo; quanto a isso já estou bem grandinho para saber. Meu medo, na verdade, é a decepção de perceber que perdi a inocência de quando criança.

 (*) Recordar (Re cordis: do latim, tornar a passar pelo o coração).

  Quiel


10 m/s²

Situações muito difíceis

têm o dom de melhorar 

todas as outras 

Essa minha queda livre

Anula a gravidade das coisas

 

Ezequiel Fernandes da C. Neto


Ausculta

E o resultado

Não podia ser outro

Meu cardiodrama

(que não tinha nada de eletro)

deu normal…

A 80 bpm,

meu coração faz poesia!

Cardiopata. Ezequiel Fernandes da C. Neto


Você Mente

Seus olhos mente

Seu sorriso mente

Sua voz também

Mente de dia

Mente à noite

O tempo todo

Até seu jeito mente

Por que na mente e

Não no coração?

 

Ezequiel Fernandes da C. Neto


Assonância com aliteração

Soar atrapalha suar

(como o ruído a comunicação)

O som parece certo quando sai

Mas soa mal,

Assonante: insiste-se quase sempre no “o”

Mas, às vezes, é “u”

Um conselho:

Sue pela pele

E soe bem sempre

Suei pra soar bem. Ezequiel Fernandes da C. Neto


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